Mischa Twitchin
Reino Unido

The Children’s Emperor & The Pianist
CAMa - CENTRO DE ARTES DA MARIONETA
27 de Maio às 21h, 23h30 e 24h
Sexta
28 de Maio às 21h, 22h30 e 23h
Sábado



Concepção, encenação e interpretação: Mischa Twitchin Edição: Britt Hatzius Agradecimentos: Anne Haaning Técnica: Mista Público-alvo: M/12 Duração: 15 minutos Idioma Sem palavras Lotação limitada - Várias sessões



Mischa Twitchin apresenta o seu díptico “The Children’s Emperor & The Pianist”, uma “performance-filme”, uma investigação sobre a imagem e a performance, que nos mergulha no universo sensível e de investigação permanente deste criador inglês.


The Children's Emperor
Música: Beethoven: Concerto para Piano N.º 5, ‘Imperador’. Walter Gieseking, piano, Grosses Rundfunk Orchester, cond. Artur Rother (emissão radiofónica alemã, Berlim, 23 de Janeiro de 1945)
Textos: Janusz Korczak, Wisdom for Parents e Ghetto Diary
Fotografias: Heinrich Hoffmann e anónimos.

The Pianist
Música: Chopin: Polaca-Fantasia, op.61 - Wladislaw Szpilman, piano (emissão radiofónica polaca, 1950);
Zabczynski, Wiehler & Jurandot: Tak jak ty [Like you do] (do filme de 1936 Ada, to nie wypada [Ada, that will never do], realizado por Konrad Tom); Szpilman: Mazurka - Wladislaw Szpilman, piano (Emissão radiofónica sueca, 1946)
Texto: Wladyslaw Szpilman, O Pianista
Fotografias de Varsóvia: Adina Szwajger, Joe Heydecker e anónimos (1941-45).

Heiner Müller, numa das suas entrevistas com Sylvère Lotringer, recorda a terrível frase de um rapaz judeu de onze anos, escrita num caderno de exercícios encontrado ao lado do seu corpo, depois da destruição do gueto de Varsóvia: “Eu quero ser alemão”. Esta expressão do desejo de viver, de querer “estar no outro lado”, no confronto com a morte, oferece um terrível testemunho ao aviso de Walter Benjamin, sobre o trabalho de compreensão histórica, de que “nem mesmos os mortos estarão a salvo do inimigo”. Onde a história é entendida como pertencente a este inimigo - o que “nunca deixou de ser vitorioso” - o mais trágico apelo de, e para a vida, aparece através de uma identificação com a morte. Numa entrevista posterior com Lotringer, Müller declara (ecoando os próprios pensamentos de Benjamin de memória): “Eu não acredito que a fotografia seja um instrumento de memória. Linguagem é memória e imagens não são”. As imagens são muito abstractas… Não nos lembramos da imagem, lembramo-nos da nossa reacção a ela, A memória é trabalho, não é algo que se possa contemplar. “A luz que se move nestes dois filmes evoca a fragilidade da presente memória, em contraponto com o poder da história. Embora o nosso conhecimento do passado seja mediado por imagens, qual é o nosso conhecimento destas imagens? Ou, nos termos de uma questão fundamental colocada por Georges Didi-Huberman: “Como é que a produção de imagens participa na destruição de seres humanos?”. Esta ‘performace-filme’ não é simplesmente o registo de uma performance ao vivo, com a câmara a substituir o público. No uso da dissolução, oferece uma transposição da performance ao vivo para a intemporalidade do filme.

Mischa Twitchin utiliza nestas duas pequenas formas extractos do livro “O Pianista” de Wladyslaw Szpilman e de Janusz Korczak, “Wisdom for Parents” e “Ghetto Diary”, duas figuras cujas vidas ficaram marcadas pelo regime Nazi.







“O Pianista” de Wladyslaw Szpilman foi adaptado ao cinema por Roman Polanski. Constitui um relato extraordinário da sua impressionante sobrevivência durante a Segunda Guerra Mundial, nas ruínas do gueto judeu de Varsóvia, onde consegue iludir a morte, depois de a sua família ter sido transferida para o campo de concentração de Treblinka, através da sua inteligência, do amor à música e, curiosamente, da ajuda de um oficial alemão. O judeu polaco Janusz Korczak foi um pediatra e um reconhecido pedagogo e escritor de literatura infantil. Dirigiu e fundou vários orfanatos e quando os nazis criaram o gueto de Varsóvia, o seu orfanato foi obrigado a mudar-se para dentro do gueto. Korczak também foi, por sua vontade, para não abandonar as suas crianças. Em 1942, soldados alemães levaram as cerca de 200 crianças que estavam no orfanato, funcionários e Janusz Korczak para o campo de concentração de Treblinka. Nesse dia, as crianças vestidas com a sua melhor roupa e com o seu brinquedo ou livro preferido caminhavam em procissão junto a Korczak até ao ponto de embarque, rumo aos campos da morte. Não se sabe ao certo o que aconteceu com ele, após ter entrado no comboio para Treblinka, o mais provável é que tenha morrido numa câmara de gás ao chegar ao campo de concentração.



BIO
Mischa Twitchin é dramaturgo, desenhador de luz, criador, professor universitário e um dos membros fundadores do colectivo de teatro londrino Shunt. Shunt é um grupo criativo de artistas que cria performances ao vivo em espaços não convencionais e os seus trabalhos incluem os premiados “Dance Bear Dance”, “Tropicana” e “Amato Saltone” (estes últimos apresentados em parceria com o National Theatre).
Para além do seu trabalho com os Shunt, cria as suas próprias performances, explorando o que Lehmann chama de “teatro pós-dramático”.
Mischa estudou filosofia na Warwick University (MA em Heidegger e Celan) e dramaturgia na Central School of Speech and Drama. Actualmente trabalha no seu PHD em 'Theatre of Death: the Uncanny in Mimesis' no Queen Mary College, University of London. Tem vários artigos publicados e ensina teatro e teoria da crítica no Goldsmiths College, na Central School of Speech and Drama, e na English Faculty, University of Cambridge.


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